Eu sou o que ninguém vê. Sou minhas conversas com Deus antes de dormir, meus pensamentos jamais ditos, meus sonhos surreais e, porque não, meus pesadelos. Sou a menina escondida pela película do carro, ouvindo minhas músicas favoritas e cantando sem nem olhar para os lados. Sou meu pijama cor de rosa num fim de noite, o bom humor logo no inicio do dia, meu jeito desinibido de conversar ou não . Sou as gargalhadas com os amigos, minha vergonha ao dançar. Sou a minha pouca intimidade com as tarefas domesticas, a maneira delicada com que me aventuro a lidar com as panelas, o desastre bem intencionado que sou como cozinheira. Sou a mania de fixar os olhos num ponto qualquer e desligar do mundo, o descaso com o celular ou com msn ligado. Sou os cremes e perfumes que lotam o cantinho do meu quarto dedicado a beleza e também a total falta de vontade de ir para a academia. Sou o afastamento de amigos e afins que falam de mim e de minha maneira de me relacionar mais do que devem ou sabem. Sou meus medos, minhas angustias, meus sentimentos. Sou minha insônia que antecede dias importantes. Sou uma infinidade de detalhes que seria incapaz de listar aqui. Mas principalmente: sou minha ansia em manter ocultas as minhas peculiaridades mais banais. Aquelas que podem ate agucar a curiosidade, mas nao tem serventia alguma a quase ninguém. Eu sou a janela do meu quarto sempre fechada aos olhos, binóculos e filmadoras de vizinhos carentes da aventura de viver suas próprias vidas. Pois de si, cada um sabe. “Cada um sabe a dor e a delicia de ser o que é.”
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